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Mostrando postagens de maio, 2017

toda prosa

tudo que eu queria mesmo agora era me entender. como que me deixei levar e cheguei a tal ponto? logo eu, que sempre falo de amor na poesia, pela necessidade tanta de um eu-lírico pra ocupar esse espaço sensível. quem diria eu, siamesa do gelo, cúmplice da tempestade que chega e inunda qualquer tentativa de fogo que se anuncie, eu que permiti que as montanhas se erguessem ao meu redor, enquanto eu virava mais e mais depressão (eu tô falando de geografia?); logo eu que não amo e que sou prática e puro pés no chão, fui abrir espaço e cair nas armadilhas que eu mesma criei. but who am I to close the ceiling? eis que o céu, meu horizonte, sempre esteve aberto. ninguém nunca teve coragem de pular no meu abismo, o risco de cair sempre foi muito grande pra arriscar. por que tanto perigo? esse vale nem é tão incrível assim.  e eu sempre ali, completamente despida, nua, entregue; talvez pela segurança de saber que a escalada seria difícil demais para que alguém persistisse. talvez à es...

corpo entrelinhas

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não posso fazer ou dizer nada disso explicitamente também mesmo que pudesse, não quero, e se quisesse não conseguiria ainda, tu vens em vultos repentes de imagens em close enquanto tento juntar e significar as letras de um livro qualquer a parte mais involuntária do meu cérebro é acometida pelo seu eu mais espontâneo corpo não entidade, não encoberto, não em distância mas em recortes muito próximos a mim sensações espasmáticas vindas do meu eu em você e você se materializa, na minha frente ou na minha cabeça? em cena nítida e corpórea tento uma retomada de leitura mas a dispersão que é além de mim me anula sua reação instantânea é fechar olhos, elevar o queixo, rosto inclinado na diagonal direita, suspirar profundo enquanto minha língua percorre um pescoço tão a ela exposto e entregue se contorcendo em quero mais e em não posso frente a frente eu e tu nesse lugar clandestino que a...