Se eu morrer
E digo "se", porque esse é o acaso (não tão acaso assim), e não quando, que é a certeza de uma morte natural. Se eu morrer de violência (não de violar porque não é isso que mata) não os condenem. E não me condenem por não condená-los. Lembrem que eu, de fato, não os condenaria. Lembrem que minha vontade de morta, e ela não vai ser diferente por eu estar morta, é que ninguém condene os violentos. Não foram pessoas que me mataram, tenho certeza. Quem me matou foi a coisa. Porque a violência nunca é pessoal. Ela vem de violações diárias, de mim, de você, do Estado e do jornal que vai veicular a rápida notícia de mais uma morte, e vai focar nos violentos porque a violência deles (os jornais) sempre vence. Lembrem que eu, em toda minha ignorância com a qual vocês vão se importar muito mais do que com minha morte, entendo. E não perdoo, porque não cabe a mim perdoar, porque não há o que ser perdoado numa instância tão mínima. Tirar a vida de alguém não deve parecer mesmo abs...