Lar
Ela passava aqui todos os dias. Saía de manhã para a escola, me visitava no almoço, às vezes se prolongava pra uma soneca e ia pro inglês. Cismou de se ocupar com a academia - de corpo e de mente - e ia pro spinning, e duas horas de musculação, e quarenta minutos de natação e mais vinte de alongamento. Banhava-se em meio a rostos desconhecidos, cobertos de suor. Depois, cursinho noturno, estudava e estudava e eu já ansiava pela visita da quase madrugada. A menina deitava e dormia plena até o dia seguinte... Ao acordar, saía e vivia sua vida longe daqui. Todo dia ela fazia tudo sempre igual, até voltar e me alegrar um pouquinho de novo. Até que, de repente, eu fiquei fechada pra visitação. Abriria de novo dentro de algumas horas... mas a placa de "vende-se" em uma de minhas janelas se mantinha pendurada. Era um entra e sai de narizes em pé, caras espantadas, desdém burguês, questionamentos, alguns olhinhos brilhando e, por fim, um aperto de mãos muito satisfeito. ...