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Mostrando postagens de agosto, 2017

antes de mim

a gente sempre vê umas crianças na rua cê me diz que tem saudade de quando eu era um bebêzinho, que era tão fofa, que cê amava tanto é claro, eu também tenho saudade de depender de ti porque não podia fazer nada e nem sabia o que era isso de ter mais carinho e atenção que as mulheres e não entender os seus vacilos com elas sinto saudade de você me levar ao parque das festinhas de aniversário e de quando sua cobrança eram as notas da escola ou a quantidade de danoninho que eu tomava no dia lembro de ter uma família esquisita, mas uma família como as outras vovó perto, parecia feliz um dog, uns primos, uma casinha da barbie e um microfone da Sandy. mas a verdade é que quando penso bem mesmo eu sinto mais saudades de quando eu era um bando de células e um planejamento de aborto e mais saudade ainda de ser um feto que provavelmente não era absolutamente nada e, sem saber, pensava: "seria mesmo melhor se eu fosse abortada" ...

lembrar dos esquecimentos

lembrei de um poema incrível que li um dia em Portugal e um velho da aula de literatura fez um comentário muito inútil sobre e o professor uma análise maravilhosa                                                     e eu guardei aquilo com todo meu coração.                                             mas também lembrei que, na verdade                                                        esqueci o que dizia o poema                                                     ...

troca

I hoje eu, finalmente, troquei meu colchão lavei pela milésima vez todos os lençóis e fronhas separei todas as colchas e travesseiros pra doação clamei por um dia sem lembrar das noites mal dormidas de ronco, baba, boca aberta, reviradas de todo nosso gozo nesse leito sem saída. minhas paredes que só eram escritas de gritos e sussurros e afetos  ganharam palavras poéticas (e agora, é verdade, já não têm muito a dizer) todo o quarto, antes sem cor pintou-se de vermelho energia, excitação, dor, fogo e sangue de todos os desamores que deixaram seus rastros indecentes em tantos centímetros do lugar onde durmo e que, todo dia seguinte, eu limpo (e de novo sujo, e de novo limpo) II e entre esses desamores, foi você que, tão religioso, mais profanou meu templo e fez ecoar essa voz herege em minhas rezas particulares e nos cultos de maior devoção que promovo involuntariamente sua imagem atravessa a de qualquer outro sa...