Acordar,
abrir os olhos numas três piscadas grossas, levantar um braço depois do outro, entortar o corpo como cobra e ouvir os estalos das costas. ninguém ao lado, uma cama inteira só pra mim, rodar nela toda como ponteiro de relógio, marcando hora após hora, sem nenhum número na circunferência pra atrapalhar. levantar do outro lado da cama e abrir a janela, ver o verde mar, azul céu, ouvir os passarinhos cantar (ainda que sejam maritacas) uma mesa com sucos biscoitos bolos pãezinhos frios geleias , o vento tilintando os talheres, pratos copos xícaras seu sorriso de quem sabe que agradou, de quem quer continuar a agradar todos os dias sem pesar. um beijo de manhã cedinho e um aperto do seu rosto contra meu peito, porque demonstração de afeto está em cada pedaço mais simples de rotina, e nunca é demais - não importa se nada do que se faça externe um milímetro do carinho que mora no nosso lar, no nosso amar. vida a duas, que vibra ao acordar.