autoajuda pra salvar os domingos
acordar a hora que o olho abrir, adivinhar a intensidade da chuva que cai lá fora só pelo friozinho e pelo barulho, sem abrir as janelas. claridade ideal que entra pelas frestas desse quarto que não é meu, e tudo que não é meu, também não é meu problema, ou minha vida, ou dia-a-dia, tudo que não é meu é uma novidade leve de não precisar me importar. não ir fazer o que eu não tô afim só pq tinha comentado. terminar de ler aquele livro que enrolei por meses. café da manhã com bolo de laranja e abacaxi, crepioca de queijo com banana, cafézin preto de minas. só faltou uma rede. ir à academia com tempo pra malhar a série inteira, rindo sozinha com podcast de depressão engraçado, sem precisar me comunicar com sorrisos e olhares simpáticos demasiados, porque ninguém vai malhar domingo de chuva - o melhor dia pra malhar. banho quentinho, lento, gostoso, acalanto, água correndo cabelo pescoço tronco pernas abaixo. solinho descompromissado no ukulele, me ouvindo só pra mim. comidinha de mãe cong...