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Mostrando postagens de junho, 2024

Sonhei que a areia soterrava o mar

Eu e meu pai corríamos porque a água queria romper a barreira, talvez fôssemos levados pelas ondas, meu pai oscilava entre andar calmo para um lado, ver a água e correr para o outro. Não era como tsunami, tragédia desesperada que ecoa gritos milhares. Não era a água engolindo uma cidade inteira, destruindo construções de concreto. A areia borbulhava sob nossos pés, como se um mundo desconhecido estivesse querendo viver e voltar a ser o que é ali debaixo. Como se fosse um pedido de socorro das águas, tão estridente que pra nós parecia som de morte anunciada, e solitária, morte em família pouca, que compartilha pouco da vida para além desse rito final. A água e seu sofrimento mexem com a gente, mas não podemos ajudar as águas. Meu pai virava e eu o mirava em seu andar de cansaço e desistência, nem um pouco condizente com seu olhar de assombro. Eu dizia que na verdade era melhor seguirmos um outro trajeto, mais curto, que a água demoraria mais a chegar por lá. Minha bicicleta tava presa a...