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Mostrando postagens de setembro, 2023

Passagem

Música é dança e dança é música Corpo compassando em movimento Ventania  Fluir em sincronicidade e  Quebra de expectativa Cinco pra lá e um pra cá Um pra quebrar o ritmo Individualizar Pra voltar pro coletivo Pedra que bate no rio e desanda o fluxo  Que depois se afunda e vira parte do rio também Que segue por sua vez seu curso sem contracorrente Sopro que é frequência  Onda sonora Que mareia o corpo Em altos e baixos Corpo e som Som e vento Sempre em movimento Vem e fica Sempre só de passagem. 

gosto de realidade

impensada impensante equivocada  natural vazia de análise  cheia de sentir completinha de verdade.
ler eduardo galeano e clarice lispector de verdade parar pra pensar e não pra olhar pro teto entender qualquer coisa de várias coisas, um pouco mais disso e daquilo ter algum ânimo pra lembrar que toda inutilidade floreia um pouco os espaços e dias cinzas alguma motivação pra encarar as utilidades políticas como única saída pras inseguranças generalizadas lembrar de respirar fundo, fechar o olho e encontrar certo ritmo descompassado que ajude a reabrir os olhos, levantar, colocar uma música e ir ao teatro

acumular

incômodos em diferentes âmbitos bomba-relógio prestes a explodir 

sobre viver

Isso aqui vai ser um mix de sentimentos e pensamentos e histórias que poderia virar um livro se eu achasse que meu psicológico sobrevive capaz de contar historia. Deve ter sido a sessão de terapia que eu mais trouxe tópicos e menos consegui desenvolvê-los. Na real, nem sei se dá pra dizer agora que isso é história, porque pra contar esse tipo de coisa tem que ser narrador observador, como narradora personagem fica um bocado difícil passar por tudo e me distanciar a ponto de contar. Lembro com frequência dos estudos sobre a mudez pós traumática, pós guerra, aquela mudez que não é por falta de ouvir quando todo mundo fala, mudez que não é de nascença ou falta de input.  Mas aquela que é, no cru, por barulho intraduzível demais. Mudez porque as sociedades e por conseguinte as línguas não foram inventadas pra comunicar traumas. Mudez porque o desconforto de produzir silêncios, e de ouvir silêncios é o que mais parece se aproximar do caos da bagunça da morte do fogo do sangue das bombas...