Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2022

Lugar de ser inútil - Manoel de Barros em só dez por cento é mentira

 deslimites das palavras desenho verbal olhar pro chão, pro pequeno em vez de olhar pro céu só as coisas rasteiras me celestam abridor de amanhecer esticador de horizontes inutensílios INFÂNCIA você só vê de ouvir transver o mundo poesia não é pra compreender, poesia é pra incorporar poesia explicada deixa de ser poesia a razão é a última coisa que deve entrar na poesia a poesia se dirige à percepção sensível  não quero dar informação, quero dar encantamento poesia não é pra descrever, é pra descobrir a poesia é fertilizada pela paisagem (não sua descrição) "a infância é a maior fonte de poesia que existe porque ela troca os sentidos" tudo que não invento é falso.

Trovoa revisited

Minha cabeça trovoa  E aqui dentro é relâmpago que acende tudo e põe fogo que transforma umas engrenagens de vontades e gostares tão simples despretensiosos e bonitos  É chuva que molha o peito e exala cheiro bom de terra molhada, terra fértil, terra orgânica  Tempo passa rápido e tu dorme cedo e faz silêncio no quarto mas minha cabeça trovoa numa Mistura de forró samba pop rap cujo compasso faz os pés dançarem e o chão tremer e o coração bater descompassado completamente  (É tanta vida que eu nem sei sonhar) É um negócio que chamam de sintonia química serotonina doideira Um emaranhado de inexplicações  Essa sensação boa de que o amanhã pode trazer a segunda-feira, com tranquilidade. pode vir rotina, vida adulta, preocupação, passado y futuro.  Hoje foi esse domingo todo.  Amanhã pode não ser muita coisa e depois de amanhã quem é que vai saber? Mas esse hoje, tem jeito não. É de nós pra nós. E é por nós e tão nosso, guardadinho pelo tempo que for, vívi...

É se abrindo que se sente

Eu tenho um caderno inteiro de exigências e tudo o que eu quero e todos os meus objetivos e tudo que encaixa na minha vida que eu organizo aqui dentro de mim e sei de cor Mas tem uma coisa muito doida de quando você se abre pro mundo    É que você vê que não sabe nada sobre ele  Nem sobre você  Nem sobre o outro  Que ser vulnerável é sentir e às vezes é sentir demais e é quase sempre bagunçar tudinho Tu te banha de mil ervas, cada uma com um propósito, aí depois de dias meses anos tão lentos com tudo sob controle, sob aquele controle completamente descompensado e insatisfatório e vazio, depois desse tantão de nada Cai um balde de sal grosso e água morna na cabeça, aquele que você planejou tomar há anos mas faltou saber faltou preparar faltou um pouquinho de coragem também E do nada você tá com toda sua energia limpa e toda você aberta pra umas coisas que tu nem lembrava mais que existiam e vc tá mesmo livre de entender  Vem aí o que vier. Vive aí o que vier...