da semana mais caótica do ano

 fim de semana com álcool (pouco, mas pra quem nao bebe ha tempos, muito), privação de sono, muitas alegrias faíscas momentâneas, picos de adrenalina e dopamina que regozijam o coração

mas a combinação dormir pouco mais álcool mais muitas responsabilidades durante a semana seguinte mais curtir a vida adoidado dificilmente não geram rebordose

e assim foi 

no domingo à noite eu estava um caco, com o peito dolorido, muito cansada, ansiedade no talo, reconsiderando absolutamente todas as minhas escolhas e minhas faltas de escolha

a semana por vir tinha:

evento com as famílias do Cria, 1h antes do meu horário habitual e com grupos grandes e no ateliê

conversa tensa com o RH, na qual eu precisava negociar minha permanência na escola reduzindo meu numero de dias (algo que eles podem simplesmente nao aceitar e eu precisar mudar toda minha vida e vontades)

“Prova-aula” de processo seletivo, que eu nao consegui planejar nada, e é preciso ter essa carta na manga, especialmente considerando o item anterior 

evento de halloween na creche, aparentemente, todo produzido e executado por mim;

duas aulas particulares pontuais para ministrar, ajudando num projeto tenso de uma engenheira.

isso era o que já estava premeditado mas, não suficiente, eu resolvi comprar ingresso em cima da hora pro RTM e ter que resolver nil detalhes atrelados a esse impulso, a forma como o boy lidou comigo no fim de semana me acendeu um alerta muito dolorido e, não fosse suficiente o caos individual, o rio de janeiro explodiu numa “guerra contra o trafico/CV” que  tirou, obviamente, vidas, inocentes, e, voltando pro ambito pessoal, que é a razao desse desabafo, impactou a rotina, trazendo à tona também certas relações desumanizadas que só se mostram em momentos de tensão. 

e a maior loucura é que precisamos passar por tudo isso e continuar vivendo, como se nada. sofrer pela cidade, pelos amores, pelas crianças, pela dessensibilização do mundo torcendo pra ver a rosa feio nascer do asfalto, encarando a rotina. 

tem que ter muita estratégia pra não colapsar por completo nesse mundo louco. muito senso de presença. muita autoestima. terapias várias. 

mas viver e ser feliz sempre será meu maior ato de resistência.

(que aqueles que combinaram de nao morrer enquanto combinam de os matar possam dizer o mesmo.)

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