descarnaval 2021
Esse lance de não conseguir ficar sem carnaval mesmo com pandemia é coisa de quem não é folião de verdade.
Folião sabe a delícia que é mostrar o sorriso largo pra todo mundo, sabe a força de um grito não abafado de carnaval, sabe que precisa de muito fôlego e respiração controlada pra conseguir cantar junto, tão alto quanto a bateria, as marchinhas, fanfarras, axé e qualquer música em ritmo de puladeira.
A gente não consegue se esbaldar de máscara porque o grito não sai. E muito menos a gente consegue se esbaldar sem máscara (sabendo que até o grito mais contido tem corona!)
Folião que é folião não conhece distância no carnaval: tem que se esbarrar, pisar no pé e ser pisado e virar pra trás pra cantar e dançar junto, tem que sentir a suadeira por perto.
Nosso carnaval não existe sem ajudar a vender a promoção de cerveja dos amigos camelô, sem carregar estandarte de larica carnívora e vegana da galera, sem comprar água pra músico, sem trocar purpurina, sentar no chão, tomar banho de mar, fazer amizade em fila de banheiro químico.
Nosso carnaval não existe sem simpatia, saúde, segurança e amor ao próximo.
Carnaval não existe sem estar todo mundo vibrando a mesma felicidade. Não existe se tantos foliões e famílias ocuparão hospitais em vez de ruas.
Carnaval não pode existir se não tem vacina pra todo mundo, desde a velha guarda, passando pelos trabalhadores, até o bloco mirim. Não pode existir se a ressaca virar luto, o cansaço desespero, transformar em trauma a ansiedade pelo próximo fevereiro.
Se o ano só começa depois do carnaval, o carnaval só começa depois da vacina, e só então começa o ano. Até lá, ainda estamos em 2020 mesmo, quiçá num momento ainda pior. Resta pensar no plano econômico pra ajudar a galera que tem sua renda composta majoritariamente pelo Carnaval, mas, definitivamente, botar o bloco na rua não é a solução.
Para quem acha que outras coisas foram flexibilizadas, logo, "qual o preconceito com o carnaval?": existem protocolos de segurança a serem seguidos que são IMPOSSÍVEIS de se realizarem no carnaval. Sou professora, é BEM difícil segui-los com 6 alunos dentro de sala, imagine com um milhão de pessoas nas ruas ao mesmo tempo.
Enfim, quem quer carnaval esse ano, não sabe o que é carnaval.
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