dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço

ontem era calor;

o Sol quente que penetra na janela, os nervos à flor da pele, a pele suada, o suor de dois corpos trocando ainda mais calor do que a quentura do rio de janeiro às 3 pm

um corpo feito de manhã se entrega à brancura do dia quente, ao amarelo do sol 

que obriga a viver, queima, mas faz brilhar, traz logo a tarde, que equilibra bem o dia e a noite no seu céu privilegiado

a hora de acordar é agora, de agir e se mostrar, não há o que esconder: a claridade é seu alicerce, te ajuda e te guia, sem nem precisar pedir.

outro corpo feito de noite desafia a estrela maior por ser palco pra tantas outras estrelas, e repele até o mais intruso e inconveniente raio solar: aqui não se faz falso verão.

deixa dormir até mais tarde, que a escuridão é minha amiga, meu guia é luz de lampião, não tem luz de sol que me obrigue a trabalhar pra mais tarde vir queimar meu plantão.

mas hoje a brisa é fresca o dia todo, nos corpos todos

não tem corpo noturno com diurno e sua eterna incongruência: é cada um por si e a completa ausência do outro. 

um respiro desse sol que arde os nervos das tantas e esperançosas tentativas.

mas já dizia aquela lei da física, da astrologia, da astronomia, ou da antropologia: dois corpos distintos não ocupam o mesmo lugar no espaço.

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